30 agosto 2005

Sem milhões

É verdade que vivemos tempos difíceis, todos nós o podemos comprovar quer seja nas compras do supermercado, ao comprarmos os passes para os transportes, no constante aumento dos preços dos combustíveis (que vão implicar o aumento de tudo o resto) ou noutra compra qualquer. O dinheiro parece que dificilmente chega para o que é preciso daí a necessidade de se economizar. A manta é sempre curta, se tapamos os pés, a cabeça fica de fora...
No Expresso deste sábado, 27 de Agosto, aparecia uma noticia da qual retiro o seguinte excerto: "As universidades e os politécnicos públicos vão receber no proximo ano menos €20 milhões, metade daquilo que o estado vai dar aos partidos para 15 dias de campanha eleitoral.".
No fim do artigo lia-se ainda: "Congeladas ficarão também as verbas da Acção Social Escolar, um mecanismo criado para apoiar os estudantes carenciados.".

Matematicamente falando, se as minhas aulas de Análise Matemática e os meus professores não me deixaram mal, se x/2 = 20 então x = 40. Ou seja, o estado vai dar aos partidos políticos €40 milhões para 15 dias de campanha eleitoral...
Posso ser eu que não lhes ligo muito, uma vez que penso que a política é como o futebol, se eu for do Estoril-Praia, por muito boa que seja a campanha de angariação de novos sócios que o Alverca esteja a fazer, não é por esse motivo que vou trocar de clube.
Actualmente as campanhas eleitorais têm-se resumido à apresentação das pessoas das diferentes listas, da troca de galhardetes entre eles (como fazem os míudos pequenos) e do "enfeitar" das ruas com cartazes, outdoors, faixas, panfletos, balões e tudo o mais que serve para poluir a cidade. Até em zonas onde é proibido afixar publicidade encontramos um cartaz de um qualquer partido, e se o outro pode lá colocar, porque é que eu não coloco um meu também?? O pior é na hora de recolher, mas isso é como a própria recolha, fica para uma próxima oportunidade.
Eu não critico as campanhas eleitorais, afinal de contas, a politica é um negócio como outro qualquer e cada um tenta vender o seu peixe...

Como é costume dizer, o futuro é das crianças, são elas que vão ser as mulheres e os homens de amanhã. Para que esse futuro seja promissor, é necessário que tenham uma boa educação, pelo menos, tentar oferecer a melhor possível e esperar que esta seja aproveitada.

Será que o estado não poderia inverter a situação? E que tal este ano dar menos €20 milhões para a campanha eleitoral e dar o dobro às faculdades? (E antes que possam dizer que aqui está mais um que é contra as propinas, desde já digo que sempre paguei as minhas propinas, e que até sou a favor delas, desde que sejam com pés e cabeça, tanto o seu custo como o seu uso.)
À Acção Social Escolar não fará mais falta os €20 milhões, que este ano as universidades e politécnicos não vão receber, do que aos partidos? Vistas bem as coisas, são só mais alguns alunos que deixam de ter condições de poder estudar e que terão que arranjar outra forma de financiar os seus estudos. Com jeitinho até abandonam e não me vêm roubar o lugar no futuro...

Esta minha sugestão foi só mais uma, no meio de tantas outras que por aí andam, para empregar os milhões que são gastos nas campanhas eleitorais. Uma outra ideia, esta da minha prima, é a utilização desse dinheiro no ensino básico. Mas isto deve ser por ela ser professora de ensino básico...
Num dos noticiários televisivos, li em rodapé que este ano os partidos vão gastar €100 milhões na campanha eleitoral...
Vamos pedir outra vez ajuda à matemática? Vamos lá!!
100 - 40 = 60. Portanto, os partidos vão gastar €60 milhões na campanha...
Com o meu dinheiro eu faço o que entender e me der na real gana, mesmo que seja esbanjar por isso, os partidos podem gastá-lo como bem entenderem, nem que sejam €60 milhões, mas ninguem me tira da cabeça que os €40 milhões que o estado vai "desperdiçar" poderiam ser empregues de uma maneira muito melhor.

E com isto, o país vai ficando 100 milhões...